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Empresas não estão preparadas para funcionários idosos, revela pesquisa

Uma pesquisa realizada pela Aging Free Fair em parceria com a FGV EAESP reuniu gestores de RH de 140 empresas para saber quais são suas percepções com relação a profissionais com idade igual ou superior a 50 anos e que práticas de gestão de idade vêm sendo adotadas pelas empresas. O estudo, realizado no período de fevereiro e março de 2018, também contou com o apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e da Brasilprev.

Entre as empresas participantes, 72% são nacionais, 78% são de capital fechado e 64% com origem do capital nacional. Na pesquisa, foram contemplados diversos setores de atuação, com predominância dos segmentos de serviços (36%) e saúde (11%).

Os dados levantados apontam que as empresas pesquisadas possuem uma visão bastante positiva acerca desses profissionais, associadas, principalmente, a fatores como fidelidade à empresa (95%), comprometimento no trabalho (89%) e maior equilíbrio emocional se comparado aos mais jovens (88%). Já as percepções negativas estão associadas, principalmente, a fatores como criatividade (31%), adaptação às novas tecnologias introduzidas (31%) e custos em termos de plano de saúde e assistência odontológica (30%).

No entanto, mesmo com as percepções positivas, a pesquisa apontou um baixo grau de adoção de práticas direcionadas aos profissionais mais velhos. A única prática identificada foi referente à possibilidade desses profissionais prestarem serviço de maneira flexível para a empresa após a aposentadoria.

“Já é necessário que organizações se adaptem à força de trabalho envelhecida e gestores se conscientizem do valor da experiência dos profissionais maduros”

Uma das responsáveis pela pesquisa, a especialista em Estudos Organizacionais Vanessa Cepellos explica que o tema se mostra extremamente relevante nos dias de hoje, uma vez que o envelhecimento é um fenômeno inevitável e que demanda reflexão e mudanças em diversos âmbitos da sociedade. Para ela, uma das esferas que sofrerá influência nos próximos anos será o trabalho.

“Já é necessário que organizações se adaptem à força de trabalho envelhecida e gestores se conscientizem do valor da experiência dos profissionais maduros. Para isso, é importante que as organizações adotem práticas adequadas para a inserção e manutenção desses profissionais”, destaca.

Outras barreiras apontadas para se manter um profissional maduro na empresa foram a falta de flexibilidade e adaptação às mudanças ocorridas na empresa e dificuldades de reconhecimento da liderança quando os mais velhos são liderados pelos mais novos. Entre as vantagens estão a experiência profissional com relação aos conhecimentos técnicos adquiridos ao longo da carreira, comprometimento e senso de responsabilidade demonstrados pelos profissionais mais velhos e diversidade de ideias e pontos de vistas dentro das equipes, enriquecendo abordagens de trabalho ou formas de resolução de problemas.

Vanessa ressalta que é importante que gestores se conscientizem da importância e da necessidade de olharem para os profissionais mais velhos como uma opção de mão de obra nas organizações. Segundo ela, o que ocorre, muitas vezes, é que os profissionais mais velhos são vítimas do ageism, ou seja, do preconceito pela idade, e acabam sendo preteridos durante um processo seletivo, especialmente, por conta dos preconceitos acerca da idade.

“Faltam consciência da problemática, planejamento estratégico e iniciativas de implementação de práticas adequadas”

Em sua opinião, é importante que organizações adotem práticas de gestão adequadas que valorizem o potencial do profissional maduro e toda a sabedoria e conhecimento acumulados ao longo dos anos.

“Propor a interação entre jovens e profissionais mais velhos, desenvolver novos modelos de carreira e programas de preparação para aposentadoria são algumas das opções existentes. Faltam consciência da problemática, planejamento estratégico e iniciativas de implementação de práticas adequadas”, lamenta Vanessa.

A pesquisa concluiu que, embora a percepção dos gestores com relação a esses profissionais tenha melhorado, quando comparado a uma pesquisa semelhante realizada em 2015 pela PwC em conjunto com a FGV, as organizações ainda não estão preparadas para enfrentar um cenário de envelhecimento da força de trabalho.

Fonte: institutomongeralaegon.org

Inovar ignorando quem passou dos 60 é jogar dinheiro fora

Você já reparou a quantidade de dinheiro que empresas, fundos de investimento e aceleradoras investem em aplicativos voltados aos ao público millennial que só os utilizam se não tiverem que pagar nada por eles? O WhatsApp, por exemplo, sabe que se começar a cobrar uma licença ou mensalidade dos usuários pessoa física, eles migrarão para o Telegram. Simples assim. Enquanto isto, temos um crescimento consistente de usuários 60+ que passaram a integrar os smartphones no seu cotidiano. Estão nos grupos de troca de mensagens, nos perfis do Facebook e agora nos serviços de streaming de música. Se adaptam, buscam entender e fazem o que podem para se manterem atualizados e integrados. É aí que o gerontodesign pode e deve fazer a diferença tornando as telas mais intuitivas e a navegação mais facilitada.

Tenho acompanhado dezenas de eventos, meetings, fóruns, hackathons e congressos tratando de inovação, disrupção, novas tecnologias e tudo mais ligado ao tema. Milhões de dólares são investidos, muita energia e foco para tornar o mundo mais fácil, econômico, racional a um consumidor que está aberto ao novo. Gosto de acompanhar pessoalmente ou pelo programa, os palestrantes e temas apresentados. O novo sempre atraiu as atenções e junto com ele o verniz do cool. O glamour dos millennials é muito atraente, porém é oportuno olhar um pouco mais à frente sob os aspectos demográficos. O país está envelhecendo e vivendo mais, ao mesmo tempo, sentimos agora o impacto da redução de fecundidade que já começou há alguns anos. Algumas cidades já têm escolas e estruturas inteiras de ensino fundamental ociosas pois faltam alunos. Não porque não queiram ir para a escola e sim porque as famílias diminuíram de tamanho. As auto escolas estão enfrentando grandes dificuldades pois faltam alunos para tirar a primeira carteira de motorista. Lembram da tentativa de criar uma “capacitação” aos motoristas que iriam renovar a carteira de habilitação? Pois é…

Voltamos ao ponto da inovação e disrupção. Para quem estão sendo criadas tecnologias e toda inovação que vem a reboque? Para um público jovem que não vai existir logo ali na frente. Pelo menos não na quantidade necessária para manter e dar tração a muitos negócios que estão sendo criados agora.

Inovação sem considerar o usuário 60+ e suas características funcionais e cognitivas é, ao meu ver, deixar de ganhar dinheiro a médio e longo prazo.

Quando converso com alguns empreendedores do segmento de tecnologia, percebo muito desconhecimento a respeito do comportamento, hábitos e desejos da população 60+. Se não os conhecem, como entendê-los? Se não os entendem, como atendê-los? Minha missão nos últimos cinco anos tem sido trazer à luz o mercado 60+, não apenas como um grupo que merece e deve ser respeitado, mas sim pelo enorme potencial econômico que eles representam.

Alguns dados que mostram o impacto que 14% da população 60+ causam no mercado e muitas empresas sequer se dão conta:

  • 23% dos clientes da maior operadora de viagem/turismo do país são 60+;
  • 22% dos lares brasileiros têm como única ou principal renda um 60+;
  • 21% do consumo das famílias em bens de consumo e serviços são de 60+;
  • R$ 800 bilhões é a estimativa de renda que passará pelas mãos dos 60+ este ano;
  • 18 milhões de celulares já são utilizados pelos 60+ (62% da população 60+).

Sou curador de conteúdo da Geronto Fair, que acontecerá no mês de setembro em Gramado/RS e será voltada ao mercado profissional que atua na assistência, produtos e serviços para Terceira Idade. Estou conhecendo muitas iniciativas de empresas que já estão atentas e integradas a este mercado. Produtos e serviços que sequer imaginaríamos a alguns anos, destinados ao consumidor 60+. A SeniorLab, minha empresa, está conduzindo com a Deezer, uma das maiores plataformas de streaming de música do planeta, um acompanhamento mensal das músicas, artistas e gêneros mais executados pelos assinantes 60+, e tivemos algumas surpresas como Anitta estar em primeiro lugar como artista mais executada e outro resultado dentro do esperado como o gênero Sertanejo dominar 60% das músicas TOP10. O fato é que eles querem mais que Facebook no celular. É ou não é um público diferente do que a maioria das pessoas imaginava?

Fonte: institutomongeralaegon.org

De olho no futuro, IMD oferece curso de Inclusão para Idosos

Fruto de uma disciplina do curso de Bacharelado em Tecnologia da Informação do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), sob a coordenação da professora Isabel Dillmann Nunes e com participação do professor Eugênio Paccelli Aguiar Freire, o curso “Inclusão Digital para Idosos” ganhou força e provou ser uma iniciativa de sucesso, superando a estimativa de inscrições quase um mês antes do prazo final.

A ideia do curso Inclusão Digital para Idosos partiu das alunas Luciana de Almeida Mariano e Rayane Lunara Catarino Dantas de Medeiros, que desenvolveram um projeto de extensão com o intuito de promover a inclusão digital para o público da terceira idade, de maneira didática e prática, promovendo o acesso às novas tecnologias, proporcionando-lhes uma vida mais participativa na comunidade virtual.

Neste curso os idosos assistem aulas sobre noções de computação para utilização em computador: introdução às funcionalidades básicas e Internet (Facebook, Skype, Youtube) e Smartphone: utilização básica; uso da câmera; WhatsApp; Instagram; acesso às ferramentas Facebook, Youtube, Skype, entre outros aplicativos de interesse da turma.

A professora Isabel Dillmann, coordenadora do projeto, conta que em sua disciplina “Tecnologia da Informação e Sociedade”, os alunos aprendem a aplicar os conhecimentos adquiridos em aula, na vida fora da universidade. “Dentro da disciplina estudamos ética e tecnologia na sociedade, como a tecnologia pode ajudar na vida da comunidade, e como um aluno do Bacharelado em TI pode ajudar na sociedade e no mercado”. Ela completa reforçando a importância de envolver a sociedade na Tecnologia da informação: “A gente pensava: já conseguimos atender os adolescentes pelo Talento Metrópole, o público do ensino médio com o MedioTec, e também o curso técnico, a graduação. Temos especialização, mestrado, doutorado, mas não estávamos atendendo o público idoso. Acho que agora o IMD abrange todas as idades, todas as áreas da sociedade, desde o adolescente, que é futuro, até os idosos, que a gente mantêm no futuro,” completou.

Fonte: Portal Agora RN