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Estudo revela 9 formas para evitar a demência

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Mudanças no estilo de vida podem ajudar a evitar um terço dos casos de demência no mundo

Hoje, no mundo, 47 milhões de pessoas têm demência. Em 2030, serão 66 milhões. Mas e se houvessem atitudes que pudessem reduzir o número de casos? Elas existem – e são parte de um estudo que envolveu pesquisadores de sete países, publicado na revista científica “Lancet”.

Segundo os autores, que compõem a Comissão de Prevenção e Assistência à Demência Lancet, “a demência é o maior desafio global para a saúde e os cuidados sociais no século 21”. E mudanças no estilo de vida podem ajudar a evitar cerca de um terço dos casos.

A lista inclui nove fatores – parar de fumar, controlar diabetes, tratar a hipertensão, evitar a obesidade, buscar tratamento para depressão, corrigir a perda auditiva, fazer exercícios físicos, ter visa social saudável e investir em educação até os 18 anos de idade. À exceção do último – e mesmo assim com ressalvas, já que estímulos cognitivos são recomendados em qualquer fase da vida –, todos podem ser alterados.

“Sempre é mais fácil prevenir, evitar doenças e hábitos nocivos do que tratar e mudar. Mas isso não significa que um adulto não possa modificar suas práticas para melhorar a saúde e evitar diversas doenças, inclusive as demências”, destaca Sizenando da Silva Campos Junior, neurologista e neurocirurgião, diretor da Central Nacional Unimed.

A demência, diz ele, tem tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. “Os não farmacológicos são atividades de estímulo cognitivo, social e físico: palavras cruzadas, sudoku, jogos, convívio com familiares e amigos, gravação de vídeos com lembretes de nomes de pessoas queridas e de compromissos, prática regular de exercícios.”

Para quem convive com um paciente com demência, Campos Junior indica tratá-lo com paciência, carinho, consideração e respeito. “Mostrar a ele como é importante e querido, além de se informar sobre maneiras de postergar os efeitos da doença, ajuda muito.”

Confira, a seguir, os nove fatores listados pela comissão. E o que fazer para alterá-los.

Tratar a hipertensão

Populações com altas taxas de hipertensão desenvolvem demência mais cedo. A causa: a doença provoca uma neuropatologia que reduz a reserva cognitiva.

Como fazer: busque orientação médica.

Evitar a obesidade

A obesidade está ligada à síndrome pré-diabetes e metabólica. Acredita-se que anomalias da insulina causem uma diminuição da produção da substância no cérebro, provocando aumento da inflamação e altas concentrações de glicose no sangue, mecanismos que prejudicam a cognição.

Como fazer: adote uma alimentação saudável. Um nutricionista pode auxiliar na escolha do cardápio e nos ingredientes que não podem faltar à mesa.

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Corrigir a perda auditiva

O estudo mostra que 32% das pessoas com mais de 55 anos de idade têm algum problema auditivo. Segundo os autores, esse é um problema da meia-idade e evidências sugerem que ele continue a aumentar o risco de demência na velhice.

Como fazer: começou a notar que tem pedido para as pessoas repetirem o que disseram? Procure um otorrinolaringologista, que buscará a causa.

Parar de fumar

Essa é manjada, mas bem importante: o cigarro contém neurotoxinas, que aumentam o risco de demência.

Como fazer: aplicativos podem ser úteis (clique aqui para conhecer 5 deles). Um médico pode orientar no abandono do vício, inclusive à base de remédios.

Tratar a depressão

Há uma ligação entre o número de episódios depressivos e o risco de demência. “É biologicamente plausível que a depressão aumente o risco de demência porque afeta os hormônios do estresse, os fatores de crescimento neuronal e o volume do hipocampo”, relatam os autores.

Como fazer: clique aqui e leia essa reportagem, que trata dos sintomas que podem aparecer em pessoas mais velhas. Na dúvida, busque ajuda com um psiquiatra.

Fazer exercícios físicos

Adultos mais velhos que praticam alguma atividade têm mais chances de manter a capacidade cognitiva. E quanto mais, melhor. Não só isso: os autores destacam que quem se exercita tem aumento do equilíbrio e redução no número de quedas, além de melhora do humor e diminuição da mortalidade.

Como fazer: para sair do sedentarismo, vale começar com caminhadas. Não sabe qual atividade seguir? Um educador físico pode orientar.

Manter contatos sociais saudáveis

Isolamento é fator de risco para demência e mais – aumenta as chances de hipertensão, doenças cardíacas e depressão. Além disso, resulta em inatividade cognitiva, “que está relacionada a declínio cognitivo mais rápido e mau humor”. “Por si sós, todos esses são fatores de demência, o que evidencia a importância de considerar o contato social de pessoas mais velhas e não apenas sua saúde física e mental”, sugerem os autores.

Como fazer: voluntariado, aulas presenciais, visita a amigos e viagens são formas de fazer amizades e buscar novos contatos sociais.

Controlar o diabetes

A insulina é um hormônio que regula a quantidade de açúcar no sangue e protege os neurônios. O diabetes provoca resistência a ela, causando uma resposta inflamatória. Estudo mostra que, dessa forma, os vasos perdem flexibilidade e ficam mais maleáveis, prejudicando a cognição.

Como fazer: o controle da alimentação é indispensável. Consultas regulares ao médico ajudam a manter a doença sob controle.

Investir em educação

Até os 18 anos, dar sequência aos estudos formais é uma forma de evitar a demência. Ao concluir o ensino médio – e permanecer estudando –, a pessoa aumenta a reserva cognitiva, fortalecendo as redes cerebrais. Isso pode reduzir os danos causados pela doença, afirmam os pesquisadores.

Como fazer: Campos Junior recomenda atividades de estímulo cognitivo. Valem palavras cruzadas, sudoku, jogos. Por que não aprender um novo idioma ou aventurar-se por uma atividade diferente?

Fonte: Instituto de Longevidade Mongeral Aegon

Uma dor jamais deve ser considerada normal, diz especialista

É possível enfrentar, obter alívio e acabar com o sofrimento gerado pela dor crônica que, segundo a OMS, atinge 30% da população mundial

Dor de cabeça é a principal queixa apontada na segunda edição do estudo “A Dor no Cotidiano”, citada por 78% dos entrevistados. Em seguida aparecem dor nas costas, com 63%, e dores musculares, com 61%.

O estudo, realizado pelo Ibope Conecta em parceria com o laboratório Pfizer, entrevistou 1.500 pessoas acima de 16 anos, pela internet, e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Mas, no caso específico dos maiores de 60 anos de idade, as dores crônicas (aquelas com duração superior a três meses) lideram as reclamações, segundo a médica geriatra Karol Bezerra Thé, professora de pós-graduação em dor do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Por mais que doenças crônicas de saúde, que geram dor, acompanhem o processo natural do envelhecimento, a dor não é consequência natural dele”, diz a médica, que integra o Comitê de Dor no Idoso da Sociedade Brasileira do Estudo da Dor (SBED) e a Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). E acrescenta: “A dor no idoso jamais deve ser considerada normal”.

Em entrevista ao Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, ela fala sobre as principais causas da dor crônica em pessoas com mais de 60 anos de idade e explica como enfrentá-la para não perder qualidade de vida.

A médica geriatra Karol Bezerra Thé, professora de pós-graduação em dor do Hospital Israelita Albert Einstein

A dor é sempre sintoma de uma doença ou pode ser consequência natural do envelhecimento?

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstram que quase 30% da população mundial sofre com dor crônica. No Brasil, esse número pode chegar a quase 60 milhões de pessoas. Deste total, cerca de 50% já apresentam algum tipo de comprometimento de suas atividades rotineiras, como no trabalho, no sono ou no lazer, o que afeta consideravelmente a qualidade de vida.

Diferentemente da dor aguda, que é um sinal de alerta do corpo de que algo pode estar errado, a dor é considerada crônica quando tem duração superior a três meses, podendo ser consequência de uma lesão previamente tratada ou fazer parte do curso de uma doença crônica.

A dor, quando crônica, deixa de ser um sintoma e passa a ser uma doença.

A dor crônica afeta mais as pessoas com 60 anos ou mais de idade?

A dor crônica não escolhe idade, sexo ou raça. São os idosos, porém, os mais acometidos. Isso ocorre em consequência do processo de envelhecimento, o que gera aumento de doenças associadas à dor, como as relacionadas às doenças musculares e ósseas.

A dor no idoso jamais deve ser considerada normal e, por mais que doenças crônicas de saúde, que geram dor, acompanhem o processo natural do envelhecimento, a dor não é consequência natural dele.

“A artrose representa hoje a principal causa de incapacidade no mundo”

Quais as dores mais comuns na terceira idade?

Entre as maiores causas de dor na terceira idade, a artrose representa hoje a principal razão de incapacidade no mundo. É uma doença degenerativa que pode acometer todas as articulações, principalmente mãos, coluna e joelhos.

Outros agentes são a osteoporose e suas consequentes fraturas; as doenças vasculares periféricas (estreitamento ou obstrução de artérias ou veias prejudicando o fluxo normal de sangue para os membros); a neuropatia do diabetes (alterações dos nervos periféricos, principalmente nos membros inferiores, causada pelo diabetes); a neuropatia da infecção do herpes-zóster (alteração de um nervo acometido pelo vírus do herpes na pele); a dor pós-AVC e as lombalgias (dores nas costas) de origem muscular.

O câncer é na atualidade causa muito comum de dor nessa população.

Há diferença entre homens e mulheres?

Apesar de as causas de dor não terem diferenças entre gênero, as mulheres se queixam mais de dor do que o homem. Isso se deve a vários fatores, entre eles as atividades ocupacionais executadas e acumuladas ao longo da vida e que se mantêm na terceira idade e pela maior busca pelos serviços de saúde para diagnóstico e tratamento da dor.

Isso sugere que, mesmo o homem tendo o mesmo número de condições dolorosas que as mulheres, eles se queixam menos e buscam menos ajuda.

“A sobrecarga física e o estresse emocional podem ser fatores desencadeadores de dor em qualquer idade”

Estresse é um desencadeador de dores?

A sobrecarga física e o estresse emocional podem ser fatores desencadeadores de dor em qualquer idade. Um idoso que tem desgaste articular na coluna e joelhos e sofre a perda de um ente querido, por exemplo, pode passar a ter mais dor durante o período de luto. Se esse mesmo idoso, pela dor, passa a se locomover menos e fica isolado socialmente, também passará a ter mais dor, pela inatividade física.

Existe uma dor menos tolerada ou mais incapacitante?

A dor é subjetiva e pessoal. Uma dor gerada pela mesma causa pode ser expressada de maneira diferente por pessoas diferentes. Isso porque o paciente que tem dor crônica pode apresentar dimensões emocionais e sociais que interferem na percepção do quadro doloroso, e isso varia de indivíduo para indivíduo. Entender as particularidades de cada um e considerar todos os aspectos envolvidos será fundamental para o sucesso do tratamento.

Como a dor interfere no cotidiano do idoso?

A dificuldade de locomoção, pela dor, causa incapacidades, o que prejudica a realização de atividades da vida diária, como caminhar, utilizar transporte público e até realizar atividades mais básicas, como se vestir. Esse prejuízo na independência gera sentimentos de inutilidade e muitos idosos acreditam que podem se tornar um fardo para a família. Assim, a dor ainda pode ser causa de tristeza, depressão e isolamento social. Quem sofre de dor crônica tem prejuízo significativo da qualidade de vida.

“A maioria dos estudos aponta que a tolerância à dor é reduzida nos idosos”

A idade diminui a tolerância à dor?

A maioria dos estudos aponta que a tolerância à dor é reduzida nos idosos. Isso se deve ao fato de que o envelhecimento exerce importantes alterações funcionais e morfológicas em estruturas envolvidas no processamento e modulação da dor. No envelhecimento ocorre também redução de substâncias químicas no cérebro, chamadas de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e opióides endógenos, que são importantes na regulação da dor.

Existe alguma forma de prevenção contra as dores crônicas?

A prática de atividade física, combater o ganho de peso e a obesidade, controlar doenças crônicas, como diabetes, osteoporose, hipertensão arterial e colesterol alto, entre outras, são medidas importantes para prevenir o aparecimento de dor crônica.

Ter uma vida social saudável, com amigos e familiares, e identificar e tratar alterações emocionais, como estados de depressão e ansiedade, também previnem o aparecimento de dor crônica e auxiliam no tratamento.

“É possível enfrentar, obter alívio e acabar com o sofrimento gerado pela dor crônica”

O alívio rápido é a melhor opção? Qual o risco do uso indiscriminado de analgésicos?

O uso de analgésicos anti-inflamatórios, medicamentos mais prescritos e utilizados no país, deve ser limitado a casos de dor aguda e ser feito por curto tempo para não gerar efeitos colaterais, principalmente nos idosos.

Como é feito o tratamento?

No geral, o tratamento de dor crônica deve ser medicamentoso, preferencialmente prescrito por especialistas na área de dor, associado a terapias não medicamentosas, como psicoterapia, fisioterapia, nutrição, técnicas de terapia corporal e acupuntura.

Já existem evidências de melhora na dor crônica com terapias complementares, como ioga, dança e exercícios de relaxamento. A introdução de qualquer terapia não medicamentosa deve ser devidamente avaliada caso a caso.

Qual a orientação para quem está sofrendo com dores crônicas?

Acreditar que ter dor não é normal ou não se acostumar a sentir dor é o primeiro passo para se fortalecer na busca e acesso por profissionais da área.

A dor crônica tem tratamento, desde que olhada de forma integral, com a atenção voltada a todos os aspectos biopsicossociais do paciente.

É possível enfrentar, obter alívio e acabar com o sofrimento gerado pela dor crônica.

Fonte: http://institutomongeralaegon.org